quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Quando silenciar é o melhor a fazer...


Pra Rua Me Levar

(Ana Carolina / Totonho Villeroy)


Não vou viver como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você

É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


No Elevador do Filho de Deus (Elisa Lucinda)

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009


Da chegada do amor (Elisa Lucinda)


Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.

Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.

Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.

Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.

Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.

Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.

Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.

Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.

Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.

Sem senãos.

Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.

Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.

Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.

Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.

Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.


Poesia extraída do livro "Eu te amo e suas estréias", Editora Record - Rio de Janeiro, 1999.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Papai Noel...


Queria encontrar Papai Noel.. Mas ele não precisa ter essa cara que todo mundo conhece, vestido de vermelho, dando boas gargalhadas. O Papai Noel que eu gostaria de conhecer seria alguém que distribuísse a todas as crianças, sem distinção, o direito à vida, o carinho dos pais, o respeito da sociedade, o alimento, a escola de qualidade, um posto de saúde decente para atendê-las. No dia em que eu parar de sonhar, é porque o bom velhinho morreu.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Congresso Mundial Discute Aumento da Violência Sexual contra Meninos no Brasil





O 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes começou ontem no Rio de Janeiro com duas constatações: o crescente número de meninos violentados no Brasil, e é cada vez menor a faixa etária das vítimas desses abusos. O evento vai reunir delegações de 114 países para discutir o tema.

No Brasil, a idade das vítimas é cada vez menor. O número de meninos violentados também é crescente. A quantidade de meninos que entram na relação comercial do sexo é cada vez maior. O Abuso e a Exploração Sexual infantil devem ser tratados de forma diferenciada. O Abuso Sexual ocorre geralmente (não sempre) dentro das famílias. Estas, precisam ser trabalhadas quanto ao seu fortalecimento. Já a Exploração Sexual, leva a uma rede maior, inclusive de pessoas muitas vezes influentes, não com a relação comercial, mas com o corpo da criança.

A vítima de Exploração Sexual é bem menos "vista" do que a vítima de Abuso Sexual. Têm-se a falsa idéia que a criança explorada sexualmente gosta do ato. A cultura existente no país é um fator determinante para a influência na violência sexual contra crianças e adolescentes.

A zona rural é uma das áreas de maior incidência de Abuso Sexual, devido à banalização do sexo e por acreditarem (no caso de algumas comunidades), que a criança deve ser iniciada pelo seu progenitor.


Os caminhoneiros são um público alvo para essa conscientização, pelo fato de serem alheios a essa questão. Pura cultura machista do nosso país. As denúncias de Abuso e Exploração Sexual crescem a cada dia. Resta saber ao certo se o número de casos está aumentando ou se é a conscientização das pessoas que faz com que a denúncia surja.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Chico Antônio - O Coquista!!

Ainda jovem e contrariando a vontade do pai (que não o achava bom cantor), prosseguiu na lida de embolador.


"Venceu desafios com famosos cantadores de coco de sua região como Zé Fulô, Mané Matias, Cícero Matias, Antônio Matias, o preto João Perigoso, Domingos Gregório e outros. Seu trabalho tornou-se então uma referência para outros cantadores".
Em janeiro de 1929 esta
va trabalhando no Engenho Bom Jardim, quando foi levado a cantar para o poeta e escritor modernista Mário de Andrade, que estava de visita naquele lugar. O encontro entre os dois foi registrado por Mário de Andrade no livro "O turista aprendiz". Anos mais tarde, Chico Antônio foi tentar a vida no Rio de Janeiro, onde trabalhou em Bonsucesso, Botafogo e Jacarepaguá. Em seguida, retornou, para sua cidade natal, voltando a trabalhar na roça e a cantar cocos nos finais de semana. Embora sua arte continuasse a ser apreciada em sua região, caiu no esquecimento do resto do país".
"Teve nove composições, todas de autoria de Chico Antônio e Paulírio(seu parceiro), entre as quais "Boi tungão", "Onde vais, Helena", "Curió da beira-mar" e "Vou no mar". Em 1983, apresentou-se no programa "Som Brasil", da TV Globo, apresentado por Rolando Boldrin.Sendo um dos mais ilustres representantes do coco, foi o único que recebeu um estudo pormenorizado de sua obra, chegando a ser personagem de dois textos ficcionais de Mário de Andrade".
"Em 1995 teve o coco "Usina (tango no mango)", parceria com Paulírio, gravado pelo grupo pernambucano Mestre Ambrósio. Em 1997 foi homenageado pelo cantor e compositor pernambucano Antônio Nóbrega no show "Na pancada do ganzá".
(Fonte: Biografia Familiar do Coquista).

Sempre sinto saudade do corredor da casa da minha avó, onde o Senhor cantarolava durante a tarde inteira, todas essas canções anteriormente citadas, em seus últimos dias de vida. Para os meus primos menores, eras apenas um "personagem" que estava ali sentado e nada mais.

Uma música da
Ana Carolina e do Jorge Vercillo (Personagem), faz-me lembrar um pouco daquela época em que olhávamos para o corredor sempre animado e que hoje está vazio e mudo.

O meu dia de hoje está profundamente marcado pela saudade que você deixou em nós!